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sábado, 7 de junho de 2014

Entre o Rosa e o Vermelho

A paixão arde, paixão é fogo.
O fogo cria fumaça e cinzas,
destrói a tudo e a todos ao seu redor,
com olhos fechados, injustos e cinzas.

Inflamável fumaça,
advinda da formosa e famosa chama
que abusa do nome do amor em vão,
dourada e vermelha,
derrama vinho e conhaque, ao chão.

Ardemos, acalmamos,
ardemos, acalmamos,
ardemos, ardemos,
ardemos, arderemos.

Ardemos mais,
posto que tudo que dói se prolonga,
e tudo que ameniza,
vai embora sem mais delongas.

Tanto que esse poema,
nessa ordinária noite de uma estrofe,
vai aumentando com o tempo,
com o fomento de meus sentimentos,
e agora encerra sua quinta estrofe.

Poemas bons são chamas inexoráveis
que se alimentam de lindas fagulhas
de sentimento de todos que os leem,
fazendo queimar pétalas e lenha,
cedidas pela frondosa, infinita, cerejeira,
criada e florescida no, fértil, coração do poeta.

Usem e abusem da cerejeira que,
agora há pouco, nasceu.
Se há de ser frondosa, não sei,
mas a primeira flor já apareceu.

Agora, a segunda, a terceira e a quarta.
Minha árvore aflora mais e mais,
com as carícias do vento, a ternura do orvalho,
sua leitura apaixonada, nosso sentimento.

Entre a árvore e a chama,
o criador e o destruidor de oxigênio,
a harmonia e a desordem, a paz e o caos,
o amor e a paixão.

A paixão foi gerada do amor,
porém a paixão nem sempre está com o amor.
Paixão sem amor é ilusão,
é consumir oxigênio sem repor,
e ilusão de amar, é sofrer, vai arder.

Meu poema, como qualquer outro poema sentimental,
se encontra no limiar entre amor e paixão, a árvore e a chama.
Enquanto nada brota em minh'alma, acalmar-me-ei, mais uma vez.







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