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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Árvores

Ramifique menos, sintetize mais.
Opte pelo caule, pelas raízes.
Isso vai mudar suas diretrizes.
Esqueça da copa, sem mais.

Pela copa passam bichos,
pelo caule passa seiva, vida.
Na copa ficam, apenas, lixos,
pelo caule fica a vida.

As raízes únicas,
verdadeiras túnicas,
em que o resto se firma
e se confirma,
exalam diversas músicas.

Caule e raiz,
de beleza sutil,
ficam por um triz,
pois a copa é fútil.


Dará?

Cadê? Cadê ele? Cadê?
Pegou a verdade e foi-se embora.
Por que? Por que isso? Por que?
Porque se cansou deste circo, há mais de uma hora.

Embriagou-se, ergueu-se e foi-se.
Nada mais, nada menos.
Coise.

Nada mais o prende, está indo em frente,
nada mais o surpreende, mas passa rente.
Mente.

Memórias, épocas, décadas,
mazelas, tocas, feridas,
já está tudo analisado,
tudo elaborado,
tudo finalizado.

Se estabilizou,
doeu,
se restabeleceu,
trincou.

Entregou a deus.
Deus dará?
Ainda não deu.
Dará?


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Grato

Frisei o caminho, passei pelo escuro.
Fiz o meu ninho, derrubei o muro.
Bebia no meu cálice, comia o que fazia.
De noite estragava, me dava azia.

Em meio a tanta história e dor,
a tantas glórias e cores,
me reerguia com resplendor,
me enchia de amores.

Um cavalheiro sombrio vagava errante,
não tinha brio, andava bufante.
Morria aos poucos, não ia adiante,
e quando ia para trás, caia
como um elefante.

Encontrei o cavalheiro num bar.
Eu estava a cantar, ele a se torturar.
Paguei uma bebida, ouvi suas histórias.
Realmente não dá, são péssimas memórias.

Prestei condolências, abracei-lhe grato,
paguei tudo, e ainda lavei os pratos.
Sai erguido, com medo e aflito, fato,
mas agradecido, pois não fui eu o enterrado.