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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Grato

Frisei o caminho, passei pelo escuro.
Fiz o meu ninho, derrubei o muro.
Bebia no meu cálice, comia o que fazia.
De noite estragava, me dava azia.

Em meio a tanta história e dor,
a tantas glórias e cores,
me reerguia com resplendor,
me enchia de amores.

Um cavalheiro sombrio vagava errante,
não tinha brio, andava bufante.
Morria aos poucos, não ia adiante,
e quando ia para trás, caia
como um elefante.

Encontrei o cavalheiro num bar.
Eu estava a cantar, ele a se torturar.
Paguei uma bebida, ouvi suas histórias.
Realmente não dá, são péssimas memórias.

Prestei condolências, abracei-lhe grato,
paguei tudo, e ainda lavei os pratos.
Sai erguido, com medo e aflito, fato,
mas agradecido, pois não fui eu o enterrado.

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