Na floresta sutil, na montanha rica,
no céu anil, eu digo viva!
No olhar fútil, na casa rica,
no jeito infantil, eu digo cica!
Na dor vil, na colmeia rica,
no barulho útil, eu digo pica!
Na forma sutil, na beleza rica,
no modo varonil, eu digo fica!
Eu digo fica! Eu digo fica!
Fica, pois quem vai nem sempre volta.
Na árvore frondosa, a flor solta,
na fruta amorosa, eu digo volta!
Na rebelião pavorosa, ela se revolta,
na loja de tosa, eu digo volta!
Na multidão tenebrosa, ela vai sem escolta,
na caótica prosa, eu digo volta!
Na lagoa formosa, a pedra que cai não volta,
no céu rosa, eu digo volta!
Eu digo volta! Eu digo volta!
Devia ter usado mais fica que volta,
pois quem fica não precisa da volta.
Quem fica não volta.
Mas quem volta não fica.
Essa é a cica que me revolta.
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sexta-feira, 25 de julho de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Festa no Celeiro
Olho para esta escuridão,
jogo palavras tristes ao ar.
No meio desta servidão,
sou ímpar.
Não vou mais viver,
vou jogar.
Não vou mais ser,
vou forjar.
Vou tentar.
Não há saída,
não há um caminho bom,
vou de gárgula,
vou cantar nesse tom.
Serei nômade, aventureiro,
serei mágico, curandeiro,
e brincarei então, no celeiro.
jogo palavras tristes ao ar.
No meio desta servidão,
sou ímpar.
Não vou mais viver,
vou jogar.
Não vou mais ser,
vou forjar.
Vou tentar.
Não há saída,
não há um caminho bom,
vou de gárgula,
vou cantar nesse tom.
Serei nômade, aventureiro,
serei mágico, curandeiro,
e brincarei então, no celeiro.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Focado
Lua no céu, reflexo no mar,
estrelas ao horizonte
formam uma linha, uma ponte,
tão sutil quanto o ar.
Reflexo aqui,
realidade no espelho.
Convexo no vidro,
vaidade em outro espelho.
Espelho côncavo,
espelho convexo,
espelho focado,
espelho desfocado,
qual o seu espelhado?
Ler em Vênus,
beber em Saturno,
ser a luz,
ser bicho noturno.
Reconstruir um osso,
dançar na Costa do Marfim,
definir um começo
e um fim.
Quem enxerga seus reflexos
escolhe seu caminho.
Deixando os outros perplexos,
com a cabeça em desalinho.
estrelas ao horizonte
formam uma linha, uma ponte,
tão sutil quanto o ar.
Reflexo aqui,
realidade no espelho.
Convexo no vidro,
vaidade em outro espelho.
Espelho côncavo,
espelho convexo,
espelho focado,
espelho desfocado,
qual o seu espelhado?
Ler em Vênus,
beber em Saturno,
ser a luz,
ser bicho noturno.
Reconstruir um osso,
dançar na Costa do Marfim,
definir um começo
e um fim.
Quem enxerga seus reflexos
escolhe seu caminho.
Deixando os outros perplexos,
com a cabeça em desalinho.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Não Vejo
Palavras para os bichos, olhos no escuro,
lava para o Sol, prego sem furo,
a vida olha pra mim, faz o que pode,
não vejo o que é, não subo ao pode.
Milhas e milhas, não acho o que é,
olho, procuro, reviro no escuro,
não acho, não vejo aquilo que almejo,
grito, esperneio por de trás do muro.
Tomo meus rumos, olho para os lados,
não enxergo meus erros, só vejo os errados.
Procuro o certo, o bom e o entusiasmado,
algo maior que a dor e o pecado.
Não me vejo ali, não me vejo encaixado,
não vejo, não vejo, não vejo, não vejo.
Procuro em pessoas, procuro em lugares,
ando e desando, perdendo o encanto.
Eu me dizia "sou um sonhador!", no entanto.
Procuro na terra, no céu e no mar,
e grito com a vida, pela força do meu canto.
Tomo meus rumos, olho pros lados,
não enxergo meus erros, só vejo os errados.
Procuro o certo, o bom e o entusiasmado,
algo maior que a dor e o pecado.
Não me vejo ali, não me vejo encaixado,
não vejo, não vejo, não vejo, não vejo.
lava para o Sol, prego sem furo,
a vida olha pra mim, faz o que pode,
não vejo o que é, não subo ao pode.
Milhas e milhas, não acho o que é,
olho, procuro, reviro no escuro,
não acho, não vejo aquilo que almejo,
grito, esperneio por de trás do muro.
Tomo meus rumos, olho para os lados,
não enxergo meus erros, só vejo os errados.
Procuro o certo, o bom e o entusiasmado,
algo maior que a dor e o pecado.
Não me vejo ali, não me vejo encaixado,
não vejo, não vejo, não vejo, não vejo.
Procuro em pessoas, procuro em lugares,
ando e desando, perdendo o encanto.
Eu me dizia "sou um sonhador!", no entanto.
Procuro na terra, no céu e no mar,
e grito com a vida, pela força do meu canto.
Tomo meus rumos, olho pros lados,
não enxergo meus erros, só vejo os errados.
Procuro o certo, o bom e o entusiasmado,
algo maior que a dor e o pecado.
Não me vejo ali, não me vejo encaixado,
não vejo, não vejo, não vejo, não vejo.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Terra de quem? Tem o que?
Minha areia, meus grãos,
minhas águas, meus ventos.
Meu hino, meus cidadãos,
meus dialetos, meus alentos.
A terra do caboclo tem palmeiras,
onde cantam os tucanos.
A terra do moreno tem gafieiras,
onde cantam os Caetanos.
A terra do branco tem lareiras,
onde escrevem caraminholas.
A terra do negro tem mangueiras,
onde escrevem os Cartolas.
Os tucanos cantam caraminholas,
os Caetanos cantam Cartolas.
Os tucanos cantam Cartolas,
os Caetanos cantam caraminholas.
Os Cartolas cantam Caetanos,
as caraminholas cantam tucanos.
Os Cartolas cantam tucanos,
as caraminholas cantam Caetanos.
As caraminholas cantam Cartolas,
os tucanos cantam Caetanos.
Os Cartolas cantam caraminholas,
os Caetanos cantam tucanos.
minhas águas, meus ventos.
Meu hino, meus cidadãos,
meus dialetos, meus alentos.
A terra do caboclo tem palmeiras,
onde cantam os tucanos.
A terra do moreno tem gafieiras,
onde cantam os Caetanos.
A terra do branco tem lareiras,
onde escrevem caraminholas.
A terra do negro tem mangueiras,
onde escrevem os Cartolas.
Os tucanos cantam caraminholas,
os Caetanos cantam Cartolas.
Os tucanos cantam Cartolas,
os Caetanos cantam caraminholas.
Os Cartolas cantam Caetanos,
as caraminholas cantam tucanos.
Os Cartolas cantam tucanos,
as caraminholas cantam Caetanos.
As caraminholas cantam Cartolas,
os tucanos cantam Caetanos.
Os Cartolas cantam caraminholas,
os Caetanos cantam tucanos.
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