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domingo, 29 de junho de 2014

Estela

A estrela cadente se jogou em cima de mim,
me favoreceu, me fortaleceu, me animou, sim.
A guardei na memória, para que não fugisse de mim,
preparei a cama, ela gostou e se confortou, enfim.

A Estela, carente, se jogou em cima de mim,
me acariciou, me abraçou, me beijou, sim.
A guardei em casa, para que não fugisse de mim,
preparei a cama, ela se animou e se confortou, enfim.

Como um sentinela,
cuidava de Estela.
Da cabeça à canela,
só pensava nela.

Estela é minha estrela,
a estrela é minha Estela.
E depois de tanta trela,
as vejo em um única tela.

A tela da motivação, da emoção,
da inspiração, da paixão.
A tela dela.
Tanto da estrela,
quanto da Estela.
Dela.

Estela, minha vida, estrelou.
A estrela, minha mente, estelou.
Então meu mundo se abalou,
porque brilhante, agora, sou.

sábado, 28 de junho de 2014

Surpresa

Caminhando pelas ruas,
vendo bueiros, favelas, ratos,
meu celular fala comigo,
e passo a ver árvores, jardins, pássaros.

Encantado e surpreendido pela vida,
sua beleza, agora, se torna nítida.
Destinado e impulsionado pela mesma,
cultuo, agora, até a vida de uma lesma.

Abrindo os olhos e a mente,
coletando imagens e sensações,
é isso que passo à frente,
é isso que mexe com minhas emoções.

Meu caminho pessimista,
me tornou esperançoso.
Meu caminho tortuoso,
me tornou otimista.
E agora já tenho uma pista,
de como é estar à vista.




quarta-feira, 25 de junho de 2014

Eclodirá

Amanhã, o dia será mais azul,
o sol irá raiar,
o orvalho há de estar lá,
o vento também estará,
e teus cabelos, acariciará,
eu sei.

De peito aberto, cantarás a vida,
catarás flores, cores e amores,
acatarás a sorrisos, risos e amigos,
pestanejarás limpo, leve e em paz.

O bom humor excederá, explodirá,
te fará feliz, te encherá de alegria,
te deixará bobo, te deixará risonho, desde a raiz.
A beleza da bobeira e do sorriso,
sobre ti, cairão.

De peito aberto, cantarás a vida,
catarás flores, cores e amores,
acatarás a sorrisos, risos e amigos,
pestanejarás limpo, leve e em paz.

O amor acontecerá, eclodirá,
te lambuzará de sorvete, te encherá de paixão,
te deixará bobo, te deixará patético 24 por 7.
A beleza da bobeira e da doce insegurança,
sobre ti, cairão.

De peito aberto, cantarás a vida,
catarás flores, cores e amores,
acatarás a sorrisos, risos e amigos,
pestanejarás limpo, leve e em paz.

E a beleza da vida,
sobre ti, cairá.





domingo, 22 de junho de 2014

Corro

Corro em frente, com briza suave,
sol ameno, cabelo ao vento.
Quanto mais olho pros lados,
mais favelas, menos bueiros, vejo.

Prédios depredados, janelas quebradas,
assaltos, sequestros, facadas,
luta contante nas ruas, com artilharia pesada,
ferimentos, sofrimentos, dores não estancadas.
E eu corro, corro e corro.

Desvio de bandidos, balas e tentações,
de bicicletas, carros e motos.
Corro cansado, sem mais ações,
só vou, com  braços tortos.
E eu corro, corro e corro.

Enquanto a ruas não encherem,
e os carros não me acertarem,
eu corro.
Caso contrário,
morro.





sábado, 21 de junho de 2014

Alma Nua

Escrever, tocar, cantar,
sonhar, atuar, adocicar,
a arte de fazer arte
é a maior arte da vida.

Se artista, pobre, desempregado,
porém feliz.
Se não, rico, empregado,
porém infeliz.

Demonstre sua fraqueza,
seus sentimentos, seus sonhos,
suas angústias, seus pensamentos,
assim, terá a franca riqueza.

Não faça, no mundo, mais gelo,
faça, para o mundo, mais calor,
gere, para todo mundo, fogo,
espalhe, à fundo, faíscas.

Demonstre sua sutileza,
suas emoções, suas ambições,
sua melancolia, seus ideais,
e assim, será a real alteza.

Deixe nascer, germinar, florescer,
não deixe que cortem, contaminem, matem.
Apenas regue, e permita que a água te leve
de encontro a sua alma nua, a sua muda voz.





quinta-feira, 12 de junho de 2014

Keep it up Seal

Dor de cabeça, fome,
música, fome, sono,
fome, dor, sono, vídeo.

Escrevo com fome,
com um vazio devorador,
dolorosa angústia.

Penso com sono,
com pensamentos plumares,
demasiados pequenos para se pegar aos ares.

Quero dormir,
quero comer,
quero escrever,
quero ser sendo,
não ser sido.

Quero ser pleno,
quero ser sereno,
quero ser sobrenatural,
quero ser metafísico,
sendo.

Tendo sido alguma coisa,
sendo algo,
vindo a ser outra coisa,
nada me é certo.

Muito está em aberto,
mas quero continuar algo.
Continuar sendo algo,
continuar sen algo,
continuar se algo,
continuar seal, go.
Go, seal.

sábado, 7 de junho de 2014

Entre o Rosa e o Vermelho

A paixão arde, paixão é fogo.
O fogo cria fumaça e cinzas,
destrói a tudo e a todos ao seu redor,
com olhos fechados, injustos e cinzas.

Inflamável fumaça,
advinda da formosa e famosa chama
que abusa do nome do amor em vão,
dourada e vermelha,
derrama vinho e conhaque, ao chão.

Ardemos, acalmamos,
ardemos, acalmamos,
ardemos, ardemos,
ardemos, arderemos.

Ardemos mais,
posto que tudo que dói se prolonga,
e tudo que ameniza,
vai embora sem mais delongas.

Tanto que esse poema,
nessa ordinária noite de uma estrofe,
vai aumentando com o tempo,
com o fomento de meus sentimentos,
e agora encerra sua quinta estrofe.

Poemas bons são chamas inexoráveis
que se alimentam de lindas fagulhas
de sentimento de todos que os leem,
fazendo queimar pétalas e lenha,
cedidas pela frondosa, infinita, cerejeira,
criada e florescida no, fértil, coração do poeta.

Usem e abusem da cerejeira que,
agora há pouco, nasceu.
Se há de ser frondosa, não sei,
mas a primeira flor já apareceu.

Agora, a segunda, a terceira e a quarta.
Minha árvore aflora mais e mais,
com as carícias do vento, a ternura do orvalho,
sua leitura apaixonada, nosso sentimento.

Entre a árvore e a chama,
o criador e o destruidor de oxigênio,
a harmonia e a desordem, a paz e o caos,
o amor e a paixão.

A paixão foi gerada do amor,
porém a paixão nem sempre está com o amor.
Paixão sem amor é ilusão,
é consumir oxigênio sem repor,
e ilusão de amar, é sofrer, vai arder.

Meu poema, como qualquer outro poema sentimental,
se encontra no limiar entre amor e paixão, a árvore e a chama.
Enquanto nada brota em minh'alma, acalmar-me-ei, mais uma vez.







quinta-feira, 5 de junho de 2014

Reação

Atenção! Muita Atenção!
O tempo do descompromisso acabou,
a era do sossego voou,
e agora é hora de produzir
disso e daquilo, num atrativo rebuliço.

Produzir por vontade,
para tanger a alma do coletivo,
fazer vibrar a população,
dedilhar a emoção.

Produzir pelo desejo da descoberta,
pela fascinação relativa à vida,
para simplificar o universo,
seguir a natureza,
esboçar as dinâmicas e formas
de todo tipo de reação.

Reação química, reação física,
reação emocional, reação impulsiva,
reação de batuque, reação de calafrios,
reação salvadora, reação destruidora,
reação animada, reação depressiva,
reação falada, reação escrita,
reação.
Reagir à ação.
Reagir à ação, minha.
É isso que eu quero,
é isso que me guia,
reagir à ação, minha.

domingo, 1 de junho de 2014

No Silêncio

Pingos de lágrimas se suicidam sob a mesa,
morrem jogados, para me lembrar da tristeza.
Meu coração pisoteado se tortura sobre a mesa,
apunhalado, enferrujado, e agora, vazio com certeza.

No vão entre meu corpo e minha sombra,
nessa noite de silêncio angustiante,
estão o meu amor e minha alegria,
numa inalcançável dimensão adiante.

Chovem facas, voam balas,
uma ferida a menos ou a mais,
agora tanto faz.

Preso entre o frio e o calor,
o abandonar e o tentar,
a razão e o brio.
Eu não mais rio.

Águas turvas, pomar infectado,
onde ,um dia, vi Primavera,
hoje, vejo uma megera fera.

Que comece o inferno, a era do fim.
Aliás, que comece o inverno, a era do gim.